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segunda-feira, setembro 17, 2007

Delírios Colorados - Deu grêmio...

Foto de Alexandre Lops - site Inter

O jogo

No Gre-Nal realizado neste domingo deu grêmio. É o tipo de frase que não queria postar aqui no blog, mas todo o gaúcho que gosta de futebol não consegue se esquivar ao resultado de nosso clássico. Peço desculpas pela demora, mas fui ao jogo e ontem estava sem condições físicas e psicológicas para escrever. Sem mais enrolação, vamos ao jogo.

Os dois times apresentaram um futebol semelhante, com forte disputa no meio, mas poucas finalizações. No primeiro tempo o time colorado demonstarva uma leve superioridade no domínio da bola, ficou mais tempo com a redonda. No entanto, a vantagem mais importante, a do placar era do dival. Logo aos doze minutos de jogo, após o rebote de Renan, uma confusão na pequena área, e aparece o jovem zagueiro gremista Léo, que não se confunde e chuta para o gol, marcando o único da partida.


Técnico e jogadores

Abel - a única coisa que invejo no time gremista é o técnico. Com um time visivelmente inferior, Mano usou bem a única arma que o favorecia , o entrosamento do time. Abel montou o time que muitos julgavam ideal, com exceção de Granja que só entrou no segundo tempo. Também não acho que foi ajustada a susbtituição de Roger, visto que, apesar da pouca objetividade, era um dos que mais se movimentava dentro de campo. Talvez devesse ter tirado Fernandão, que mesmo tendo um papel de liderança importante, ainda não está 100% e poderia ter dado lugar a outro que se movimentasse mais. A zaga ainda precisa estar mais atenta. Confesso que esperava a estréia de Sorondo, não sei se teria feito diferença, mas certamente entraria com um gás que fez falta ao time colorado. Abel vencerá o próximo grenal, ou fará de tudo para isso, porque Mano Menzes está em vantagem nos confrontos com o treinador colorado.

Renan - Boa atuação. Estava apreensiva quanto ao peso de um grenal sobre o jovem goleiro. Poderia ter segurado a bola que resultou no gol gremista, embora a culpa maior creio que recaía sobre a zaga. No resto do jogo fez desfesas importantes, interceptou cruzamentos, passou segurança. E não assustou na reposição de bola, como Clemer adora fazer.

Fernandão - Estava meio apagado, bem marcado. Atuou melhor no jogo anterior e neste grenal não teve a sorte que teve em muitos outros. Considero que ainda vai render mais, pois é vindo de lesão.

Roger - Se movimentou bem e é um jogador que deve ser utilizado para fazer a ligação do meio com o ataque.

Granja - como sempre vem demonstrando que está recuperado de lesão. É titular e não jogador para entrar somente no intervalo.

Guinãzu - antes do jogo era visivelmente um dos mais ansiosos. Talvez por isso tenha sido um dos mais participativos. Se todo o time tivesse pelo menos a vontade dele...

Baboseirices


Com a derrota amarga o colorado vê cada vez mais distante o sonho da Libertadores. Talvez a dificuldade sendo maior, o time surpreenda como fez nas suas maiores conquistas. Tem pelo frente o Atlético Mineiro. O Inter adora ressuscitar mortos, perder para times inferiores, mas se supera no confronto com os grandes. Não me surpreendo se perder do Atlético e golear o São Paulo.

Bem, com o resultado do grenal o Internacional ocupa a 10º posição com 35 pontos , dez vitórias e saldo de gols nulo. No domingo o colorado vai a Belo Horizonte para enfrentar o Atlético Mineiro, que também vem de derrota para o rival. O jogo é às 16 horas.

domingo, agosto 26, 2007

Delírios Colorados - Gre-nal é gre-nal!!


Em uma segunda-feira qualquer do ano de 2027, meu filho de quinze anos lê as reportagens sobre a última rodada do Campeonato Brasileiro. Era dia seguinte a um gre-nal e todos ficavam atentos as reportagens pós jogo, já que as transmissões dos gre-nais haviam sido suspensas, cinco antes, a fim de evitar conflitos. Meu filho gosta de futebol e semana passada estava encantado com o clássico Fla-Flu que passou na tevê. Tinha até torcida no estádio. O colorado venceu o grenal em questão, mas ele parecia triste.

- Que foi filho, virou gremista que não tá feliz com a vitória do Inter?
- É que eu tava pensando, grenal é um clássico do futebol brasileiro?
- Claro!
- Como o Fla-flu?
- Sim, igual. São dois times rivais disputando um jogo. Que pergunta...
- Mãe, mas que clássico é esse que o estádio fica fechado? Que as torcidas não podem ver pela televisão? Esse jogo mais parece um treino. Nos lances que eu vi, parece que os jogadores não tão nem aí.

- É, mas um dia foi diferente...

Aí comecei a contar pra ele um pouquinho sobre a história dos grenais. Os olhinhos do meu colorado brilharam. Contei pra ele, que tanto o estádio do Grêmio, quanto o Beira-rio em dia de grenal lotavam, sendo quase metade azul e metade vermelha. Que as pessoas iam juntas aos grenais, um com cada camiseta. Que quando o grenal era no Olímpico, os colorados se encontravam no Beira-rio e iam até o Olímpico. Quando a violência começou a aumentar iam escoltados pelo polícia. Que isso unia muita torcida. Uns iam para divisa do portão no estádio e ficavam xingando o adversário.Que todo jogador quando vinha para um time do Sul queria jogar grenal. Que o Pato, mesmo depois de ser o melhor do mundo, dizia que um dos remorsos da vida dele era não ter jogado um grenal. Que Dunga e Ronaldinho Gaúcho disputaram um grenal. Que parecia final de campeonato. As pessoas lotavam os bares. E depois do jogo, era um buzinaço só. Tinha uma cidade do Interior, que eles brincavam dos perdedores puxar a carroça com os ganhadores dentro. Que muita gente fazia aposta. E durante a semana que antecedia o clássico, só se falava nisso na rua. E no dia seguinte quem ganhava tinha a sua cor brilhando pela cidade. O treinador que ganhava o grenal, podia colocar isso no currículo. E que ganhar na casa do adversário era motivo de alegria maior.

Conto pra ele do grenal de inauguração do Olimpico, antigo estádio gremista, em que o Inter ganha de 6x2, falo dos 5x2 e da atuação de Fabiano Cachaça em 1997. Conto do grenal do século, conto do Fernandão e o gol 1000 em grenais, e como aquele jogador começou a se revelar depois daquele grenal. Conto o grenal que vi o Inter perder o título gaúcho em casa, e como foi difícil ver a torcida do Grêmio cantar no beira-rio. Até consegui mostrar uns vídeos pra ele. O guri vibra, era só alegria.
E conto que, na idade dele, eu vivia a rivalidade, pois presenciei o primeiro título mundial do Inter e de como isso afetou a rivalidade grenal.

- Bah mãe, mas era um festa linda. E como chegou a isso que é hoje?

- Ah, primeiro eles começaram a diminuir os espaços da torcida adversária. É que dava muita briga. Depois tiraram a bebida dos estádios. Depois aumentaram o policiamento para dias de grenais, até o ponto em que o governo disse que não tinha homens suficiente para proteger os torcedores. Teve umas mortes nessa época. Aí, eles resolveram que seria torcida única. Mas o adversário esperava nos entornos do estádio. E teve muitas brigas feias nessa época também. Aí decidiram fechar os portões. Só que os donos dos bares começaram a reclamar dos prejuízos pelas frequentes brigas. E jornalistas começaram a ser ameaçados. Por segurança, decidiram que nenhum grenal mais seria transmitido, nem por televisão nem por rádio. E grenal gerava dinheiro, mas sem transmissão, muitos empresários convenciam seus jogadores a boicotar o clássico. E hoje só se escala reserva em grenal. A violência terminou com o brilho dos grenais, essa que é a verdade.

- Mãe, mas quando essa violência chegou a esse ponto, que começaram a cortar tudo que tinha de bom num grenal?

- Ah, foi quando a minha geração era maioria nos estádios....


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