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quarta-feira, dezembro 02, 2009

Marcelo Rospide, interino?


Me disseram que ele era bom e eu tinha minhas dúvidas. Em plena semana GreNal, mesmo ainda muito distante do próximo clássico, tive a oportunidade de conhecer o técnico interino do Grêmio, Marcelo Rospide. O encontro foi possível graças ao curso Kick Off da Perestroika, no qual já tive palestras com outras pessoas dignas de tantas coisas, entre elas, modestamente, um post no meu blog. E prometo que farei um relato de algumas dessas personalidade futebolísticas que tive contato.


Rospide foi convidado a falar sobre preparação técnica e por uma dessas "sortes" dele, minha e do pessoal da Perestroika, a data da palestra ocorreu justamente enquanto ele é um dos técnicos mais assediados do país durante essa semana, devido ao jogo que pode decidir o campeão do Brasileirão.


Rospide explicou como é feita a preparação técnica de um time de futebol. A comissão técnica escolhe um modelo ideal de jogo. Através da análise do elenco é feito o planejamento e um direcionamento sobre o esquema a ser adotado. Sobre sistemas preferidos, Rospide apenas disse que sua opção ideal é uma linha defensiva de quatro e com variações na frente. Quando da interrupção do trabalhor de um treinador, explicou que os atletas perdem tempo com a adaptação e por isso trocas não são vantajosas do ponto de vista da preparação. Ao tornar-se interino após a saíde de Roth disse que manteve o modelo praticado por Roth mais acrescentou algumas observações suas.


Adoraria falar sobre preparação técnica, e de fato o "professor" de hoje me deu muito conteúdo para tal. Mas adoro uma muvuca e vou falar sobre questões delicadas que envolvem o atual técnico do Grêmio.


Marcelo Rospide foi atleta do Grêmio, quando criança e adolescente. Desde 1993 passou a atuar junto às categorias de base e escolinha. Foi treinador dos juniores e atua na equipe profissional como auxiliar técnico desde 2001. "Na verdade auxiliar técnico também é treinador, existe mais de um técnico, só que não tem poder". Sobre sua situação atual, de interino, definiu assim: "tenho autoridade, mas não poder". Já que não pode barrar um atleta do grupo profissional, por exemplo.


Rospide parece estar tranquilo com o trabalho feito e com o futuro. "Tudo que sei é que dia 6 entro em férias (...) estou tranquilo e procuro aproveitar a oportunidade". Agora respeitado pelo torcida ele demonstra segurança no trabalho realizado "acho que deixei uma boa primeiro impressão, uma boa segunda impressão", referindo-se às duas oportunidades no ano de 2009 em que esteve como interino da equipe gremista. E acrescenta "quantos boas impressões têm que deixar para ser treinador ?".


Seu objetivo de ser treinador me pareceu claro, mas ele não demonstra pressa e nem intenção de sair logo do Tricolor gaúcho e tampouco de se decepcionar ou se sentir preterido caso a direção opte por contratar um treinador de fora, ao invés de efetivar o interino, hipótese bastante provável. "Estou há um bom tempo no Grêmio, sei como as coisas são, estou vacinado". E uma coisa que me surpreendeu, o bom relacionamento e a admiração de Rospide por aquele que, para quem como eu está de fora, parece ser o maior crítico de uma efetivação de Rospide "conheço o Meira há 20 anos e o respeito muito".


E finalmente a cereja do bolo, o jogo de domingo. Torcedores gremistas querem ver o time perder. Mas Rospide foi categórico, "o jogador que for escalado vai entrar para ganhar". Porém ressaltou que alguns jogadores podem ser poupados por desgate físico, já que o time não almeja mais nada no campeonato. Indagado sobre a repercussão pessoal que uma vitória da equipe gaúcha sobre o Flamengo pode ocasionar, Rospide disse que "já vale por essa semana", relatando o assédio que ele está vivendo por ser o treinador do jogo decisivo. "Tenho que pensar muito bem no que vou falar na preleção", confessou o técnico gremista. Defendeu o profissionalismo e explicou declarações de Souza de que o entregaria o jogo. “Perguntaram (repórteres) para ele na frente da torcida". Resumiu o pensamento dos atletas diante de uma possível retaliação da torcida gremista em caso de uma vitória do Grêmio sobre o Flamengo e título do Internacional: "uma porta se fecha, mas duas se abrem". "Se a bola picar no pé, o jogador vai chutar e fazer o gol", completou o treinador gremista.


Portanto meus amigos, o técnico atual do Grêmio, e aqui vão meus pitacos, é uma pessoa altamente capacitada para o cargo, conhecedor dos bastidores do Tricolor gaúcho, com autoridade dentro do vestiário e profissional, em outras palavras, em sua próxima preleção Rospide não vai mandar o time entregar.


Marcelo Rospide citou uma frase de Josep Guardiola, atual treinador do Barcelona e que começou interino. E é com essas palavras que encerro o post de hoje. "Desarmó el mito de la experiencia y proclamó la importancia de las ideas".

quarta-feira, novembro 25, 2009

Do gramado para o bar. Do bar para o gramado


Desde setembro estou fazendo um curso na Perestroika sobre futebol, cujos pilares são a gestão, jornalismo e preparação técnica. Assim que começou, me coçei para vir aqui e escrever sobre as aulas. Tive aula com Falcão, Dunga, João Paulo Medina e, ontem, com Amir Somoggi. E eis que, após a aula de ontem, resolvi vir aqui postar.


A aula, de fato, era digna de tal atenção, pela qualificação do palestrante em questão, Amir Somoggi. Mas lhes confesso que estou escrevendo pelo pós aula. De maneira curta, grossa e direta: ontem à noite tomei um drago com duas das pessoas que mais entendem de futebol no país. Pelo lado de gestão e de jornalismo esportivo. De quebra, ainda conheci melhor meus colegas, o quanto cada um deles sabe e a história especial de cada uma dessas pessoas que chegou até ali. E o caminho de nenhum de nós está encerrado, ele apenas começou.


Falamos isso com a mesma serenidade e paixão com que Amir Somoggi e Nando Gross falavam sobre assunto. Bebendo ou jogando sinuca, ou só comendo batatas fritas. A leveza com que falaram de um assunto do qual têm tanto conhecimento me fazem pensar que as maiores certezas não são assim tão sérias. Ou melhor, tão difíceis de compreender.


O futebol é um terreno tão incerto quanto a vida,. Você pode ou não enriquecer com isso. Você pode ou não tirar seu sustento disso. O time que você torce pode ou não ser campeão. O juiz pode ou não errar. Os dirigentes podem ou não fazer cagadas. Os jogadores podem ou não ser mascarados. Pontos corridos pode ou não ser mais legal que mata-mata. Enfim, nos restam mais dúvidas que certezas. Talvez por isso esses caras, que admiro e que ontem estavam conversando comigo e meus colegas num bar, estudem tanto e acompanham diariamente o assunto. Porque nunca teremos certeza nesse terreno incerto, mas as poucas certezas é o que nos diferenciam.


Por isso escrevo sobre essa aula. Da qual tenho muitos números a lhes apresentar. E o farei. Começo rechaçando a tese de que o Grêmio é mais pobre que o Inter. E pensar que esses números foram só o começo da aula de ontem...

quarta-feira, novembro 11, 2009

Twittadas da semana

Tenho uma confissão aos leitores: tô viciadinha no twitter. Então, inagurarei um novo quadro aqui, declaradamente copiado de sites da internet (em vários sites é possível conferir twittadas de famosos que marcaram a semana). A partir de hoje, vocês acompanham as twittadas da semana da Anna. Que ocorrerá sempre aos domingos. Excepcionalmente hopje que não é domingo, porque eu tive a ideia num dia que não é domingo. Enfim, posso explicar em 140 caracteres que vocês são espertinhos e entenden né?

Divirtam-se, porque eu faço muito isso no twitter.

Pq as pessoas insistem em enviar emails religiosos??? Acabo de criar uma nova campanha: amigos, amigos, religiões à parte (10/11)

Da série situações que não gostaria de passar: um amigo que você acabou de conhecer é amigo de um ex...justo aquele cuja fossa é recém finda (09/11)

Se o fim de semana foi uma merda, aposte na noite de domingo ;) (09/11)

E pra coroar meu findi #fimdecarreira fui ao 8 1/2 acompanhada de dois casais e vi meu ex-namorado no caixa... (08/11)

Pela segunda noite seguida, no sofá pronta esperando amigos,antigamente me esperavam, enquanto descia correndo passando batom #fimdecarreira (07/11)

Acabei de chegar após feriadão na cidade mais quente do RS.... (02/11)

sexta-feira, outubro 09, 2009

Bola aérea, Uma analogia entre o futebol e os relacionamentos: Prata da casa


E o campeonato tá pegando fogo na reta final! Alguns times ainda disputam o título, sempre um desponta como favorito. Tem clube que praticamente já está rebaixado. Tem time que não quer mais nada e só atrapalha os outros. O G-4 é um privilégio de poucos.

O Anna F.C começou a temporada com um objetivo: o título. Nada mais poderia alegrar a torcida. Porque vocês sabem né, torcedor é passional e contrária-lo seria loucura.

Mas a janela de agosto foi dura para a equipe. Passado o terremoto, uma análise mais fria, que só criaturas como nós jornalistas conseguimos fazer nesse terreno incerto e passional da vida... ops do futebol, revela que o mês de agosto salvou o meu time. Não há certezas a nível administrativo e tampouco no futebol do clube. Aliás, o futebol é incerto e dinâmico e acho que isso o torna belo. No fundo nem sempre o melhor vence. E aí entra o efeito positivo da janela de agosto.

A saíde de titulares incontestáveis, a saída de um jogador especial, obrigou o Anna F.C a se abrir para o mercado. Observar os outros clubes, buscar novas promessas e até, porque não apostar nas categorias de base. E foi aí que a vida...ops, de novo, o futebol.. surpreendeu.

Não foi em nenhum campeonatro sub-15, sub-20, não. Mas um jogador começou a se destacar. E é bem verdade que não sabemos bem em que posição ele vai jogar nessa equipe, tampouco se irá se encaixar no esquem do Anna F.C. A ironia é que as atenções da comissão técmica se voltam de uma maneira pra esse jogador que nos fazem pensar que o esquema tático do Anna F.C é que vai se encaixar com o futebol do jogador.

De onde ele veio? Ele estava ali, dentro do clube, esse tempo todo. Desde que o artilheiro, aquele que foi vendido e gerou a ira da torcida, desde antes da chegada do nosso saudoso (volta pro mar, oferenda) artilheiro, o jogador já estava lá. Só agora que a comissão viu.

Eu tenho minhas dúvidas se a aposta vale a pena. Talvez tenha algum lance de um dirigente faturando em cima. Ou talvez seja uma prova do deslumbre dos homens do futebol do clube. Por ora, é tudo muito incerto. Só uma coisa é certa: a equipe ainda quer muito esse título. Há um temor em se apostar tudo nesses novos jogadores, neste em especial, mas a diretoria parece saber o que faz. Afinal, o jogador já estava lá esse tempo todo e só agora seu potencial técnico foi reconhecido.

Desejamos sucesso ao jogador, ao novo técnico e a toda a diretoria do Anna F.C. Há alguns anos o clube está sem dar um título ao seu torcedor. Durante esse tempo todo, o que inclui nosso terrível mês de agosto, a equipe amadureceu e parece estar pronta a alçar voos maiores, até mesmo no cenário internacional. Boa sorte!


sexta-feira, setembro 11, 2009

Bola aérea: efeitos da janela de agosto

Ao fim do dia 1º de setembro clubes brasileiros festejaram o fechamento da temida janela de agosto. Nenhum clube europeu ou de qualquer outro país poderia contratar algum jogador em atuação no Brasil. Como sabem que respiro futebol, também comemorei o fechamento da janela de agosto.


Êta mês longo esse. Me formei e outras coisas chegaram ao seu fim com o término de agosto. Mas eu precisava chegar em setembro, ver a janela fechar pra saber.


Os clubes de fora não economizam nas propostas sedutoras para carregar os craques da terra. Às vezes, as ofertas mais tentadoras economicamente não são as mais vantajosas para os profissionais. Tampouco para os times.


Mas muitos jovens promissores, na ânsia de alcançar o topo se arriscam em lugares desconhecidos, contrariando a equipe que lhe acolhera até ali e até mesmo seus fãs. Jogadores com potencial ignoram conselhos de colegas referentes a recusas de certas propostas. As equipes ficam sem seus melhores quadros e títulos podem ser perdidos. Uma campanha bem sucedida pode ser ameaçada pela janela de agosto. Até a vaga no G-4 fica distante de alguns clubes.


A janela fechou, agora o Anna F.C pode voltar suas atenções ao campeonato. O título pareceu distante e ainda parece um pouco, mas a vaga no G-4 está cada vez mais perto. Com novo esquema tático, mesmo treinador e aposta em jogadores da base, a equipe se fortaleceu após o terrível mês de agosto, que trouxe perdas bastante lamentadas pela torcida.Também pudera, saiu o artilheiro e craque do time. Ficou o reserva tão renegado pelo treinador. Mas que vem crescendo a cada partida e renova as esperanças da torcida. A cada jogo, após o fechamento da janela, as esperanças se renovam. E porque não, desde 1º de setembro se permitir sonhar com o título?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Anna by Anna - E as certezas incertas


As maiores certezas aparecem nos momentos mais imprevisíveis. As melhores frases que já disse na minha vida também vieram, assim, no improviso, susto ou espontaneidade pura.


“O cara certo vai aparecer, calma” ou “alguém vai aparecer”, me dizem diferentes vozes a todo o instante. E hoje, finalmente, consegui resumir o que sinto: eu não quero que ninguém apareça, eu só queria era que alguém não tivesse desaparecido, que alguém não desapareça...


Simples assim. A gente é que complica.


Eu tenho me perguntado muita mais sobre minhas dúvidas internas do que sobre meu futuro profissional, completamente incerto, diga-se de passagem. Tudo é incerto na vida, a gente só se ilude que algumas coisas são completamente previsíveis. Isso nos dá segurança para seguir. Mas entendo que compreender o que se passa dentro da gente é o primeiro passo para seguir em frente.


Tenho medo sim do meu futuro profissional, mas sem nenhum pavor. Com uma tranquilidade que eu jamais imaginara simplesmente sei que vou arrumar um emprego que me agrade. Algumas coisas sempre vão desagradar. Mas estou tranquila com minha carreira, tranquila e não acomodada, porque sei o que quero.


Quanto a todo resto da minha vida, poucas certezas, quase nenhuma. E a única que eu tenho as pessoas querem tirar de mim. Até eu quero tirar de mim.


Mas começo com este passo e o resto deixa que o destino revolva. Talvez seja o momento de sossegar comigo mesma e aguardar os próximos capítulos de uma história que eu até posso escrever, mas não escrevo sozinha...

terça-feira, agosto 11, 2009

Anna By Anna - Como um sonho



Poucas coisas irritam tanto quanto acordar de um sonho bom. Pode ser o despertador, pode ser alguém que chama ou simplesmente o tempo de sono que cessa. O sonho acaba assim pelo meio. A gente fecha os olhos,na esperança de voltar a dormir e continuar no sonho, mas isso nunca acontece. Um sonho só é sonhado uma vez e nunca se repete. Pelo menos não os sonhos que a gente gostaria de repetir. Ou de nunca acordar.


Eu sonhava com uma noite feliz. Todas, eu disse todas, as pessoas que eu amava estavam lá. Era um lugar bonito, eu estava linda. Não lembro do vestido, nem da cor da luz, mas eu sabia que eu estava linda, porque quando estou feliz eu fico linda. Parecia um castelo, porque eu me sentia plenamente segura lá dentro. A família ria e falava alto, como de praxe, e um abraço me tranquilizava em meio a um caos que me deliciava. Umas piadas repetidas de antigos amigos e umas pérolas de colegas especialistas em pérolas. Era mesmo uma noite feliz, rodeada de pessoas maravilhosas. No decorrer da noite feliz no castelo, algumas coisas incompreensíveis para as pessoas que me rodeiam se esclareciam. E outras coisas que eu dizia na forma de brincadeira, quanto a essas todos compreendiam os significados. Todos entendiam o que eu precisava pra ser feliz. Tudo que eu precisava nessa incessante busca pela felicidade eu havia encontrado naquela noite. E todos entendiam. “E não é que ela vai fazer tudo que disse”, diziam alguns amigos mais céticos.


Aí, eu acordei. Na verdade um barulho de fora me desviava do sonho. Não sei se uma ambulância que passou na rua, um imbecil que resolve ligar no sábado de manhã te oferecendo assinatura de revista. Eu não sei o que foi, mas eu comecei a acordar. Eu ainda sonhava. Mas já não estavam todos. A pessoa mais importante da minha vida perdeu a carona e não foi. Uma pessoa muito especial eu falava por uma tela de computador, cuja conexão falhava. Alguém sorria e dizia “ eu avisei que eles não viriam”. A felicidade começava a dar lugar a raiva e a tristeza. Mas aí veio a decepção. Os amigos cochichavam e como pisando em chinelos perguntavam “aquele pessoal não veio, né”. Eu dizia na maior ingenuidade, amesma ingenuidade da felicidade que eu havia vivido instantes antes no mesmo sonho, na mesma pseudo noite feliz “não, meu coração tá partido, eu confesso”. Eu tava feliz ainda. Sorria e abraçava muitas pessoas, mas já encontrava defeitos no visual. Eu feliz era linda, lembram?


Pois é, a noite feliz se acabava, porque definitivamente eu estava desperta do sonho. Eu acordei e só pensava em qual barulho havia me acordado, afinal o sonho era tão bom. Respirei fundo, olhei a parede do quarto, o vazio da cama, as almofadas no chão e a luz do sol que entrava timidamente pela janela. “Tá na hora”, pensei. Levantei da cama e encarei o espelho do banheiro. Sem olheiras e com a pele boa, mas um olhar firme e voz amarga, eu disse “foi só um sonho”...



segunda-feira, julho 13, 2009

No divã: O peso da toga


De uns tempos pra cá uma pergunta atordoa a minha mente: o que eu tô fazendo da minha vida? O que eu quero da vida?

Tenho pensado incessantemente sobre meu futuro. Sempre pensei, sempre sonhei. O diferente é que agora tenho pensando no futuro a partir do presente. Percebi que o meu futuro tá sendo construído agora. Já fui obrigada a amadurecer há muito tempo, bem antes do que deveria, talvez. Já tenho responsabilidades, mas é como se a partir de agora eu não pudesse mais arrumar desculpas pra não ser adulta. Eu achei que se formar geraria uma preocupação por conta da carreira que começa, do desemprego, da busca pela independência financeira, mas se formar é a garantia de que a criança ficou pra trás. A criança que eu fui ficou nas fotos e nos brinquedos que guardo. Ainda trago coisas boas daquela menina. Eu ainda tento unir e alegrar a todos da família ao mesmo tempo e, incrivelmente, consigo. Eu ainda sonho com filhos e príncipe encantado, ainda brinco de casinha e choro fácil. Eu ainda sinto cócegas. Ainda me irrito fácil. Pensando bem, ainda tenho muito daquela criança. Mas tenho que viver como adulta. Não há mais tempo para brincadeiras. Ainda se pode brincar, mas digamos que algumas coisas mudaram...

Eu me apavoro mais com o rumo que estou dando a minha vida do que com a busca por emprego que tenho que realizar depois de 7 de agosto. De uns tempos pra cá, eu venho falando que quero ter filhos. De uns meses pra cá, simplesmente não penso noutra coisa. Saber que as pessoas que começaram esse caminho comigo, que em breve termina com a formatura, já têm filhos, já tem alguém...me apavora. Não lamento por eles, mas percebo que estávamos todos no mesmo barco. O meu barco ainda parece estar atracado no porto.

O alguém? Em cinco anos de faculdade meu relacionamento mais longo durou dois meses. Apenas nos últimos meses me envolvi e falei a verdade. Como vou casar se nem sequer consigo conversar com um homem? E quando consigo, a conversa demora 15 dias pra se repetir.

Sempre tive calma, tudo acontece no tempo certo. Ultimamente tenho pressa. Minha vida corre enquanto sonho ou lamento. Não há mais tempo para erros, mas as decepções podem ocorrer há qualquer momento. E a menina da foto era segura. Eu tenho segurança de que algumas coisas vão acontecer. Os filhos e o pai das crianças é uma certeza. Me apavora não saber quando, nem por onde começar.

Me apavora não ter pra quem perguntar isso, porque na real ninguém tem respostas certas nem do futuro nem sobre minha vida. Tampouco sobre meus relacionamentos. É...depois de um tempo, os rolos passam a ser chamados de relacionamentos. Não que todo cara que a gente conhece na noite é um relacionamento, é porque passamos a só “perder tempo” com quem nos envolvemos. Tenho estado envolvida demais. E tenho pressa de ser correspondida. Tenho pressa em saber o tamanho do passo que estou dando. Tenho pressa em receber convites. Tenho pressa de viver. Isso que já estou vivendo.

Já sou adulta e não tinha percebido isso até vestir aquela toga...

terça-feira, maio 05, 2009

Bola aérea: Uma analogia entre o futebol e os relacionamentos

Dizem que o futebol aliena as pessoas. Quem se envolve, torce, fica distante de todo o resto que importa. Que o futebol, mesmo no país do futebol, nada acrescenta às pessoas. Será? Será que esse esporte tão idolatrado por aqui não tem relação nenhuma com as coisas relevantes da vida? Pois com a minha tem...

Um novo campeonato está prestes a começar. Em cada temporada, as equipes têm objetivos distintos quanto à taça almejada. Todo clube quer ganhar títulos, isso não se discute. A gente fica é o tempo todo discutindo a forma de levar a taça pra casa. Alguns times têm tradição em competições mata-mata. Outros reinam soberanos na fórmula dos pontos corridos. Há aqueles, no entanto, que alternam essas fases.

Um campeonato de pontos corridos está por começar no país do futebol. No fundo, tudo que é clube bem que quer esse título. Alguns já conquistaram um. Outros são bi, tri, multicampeões nessa competição. O que somar mais pontos leva o título. As outras equipes, dependendo da posição, podem obter uma vaga na Libertadores. Outros conquistarão a oportunidade de jogar a Sul-Americana. Ninguém quer mesmo é ser rebaixado. Tem equipe da segunda divisão que sobe.

Eu confesso aos leitores que tô de olho no título do Brasileiro faz horas. Ano passado, a equipe já tinha o mesmo objetivo. No final, contentou-se com uma vaga na Sul-Americana. Dentre muitos motivos, estava a dificuldade em mudar o esquema tático. A verdade é que no início da temporada passada o 3-5-2 parecia encaixar perfeitamente com o time. Novos reforços, somados aos que subiram da base e o técnico recém chegado. Na verdade toda a comissão técnica mudou entre as temporadas 2008/2009. Aquele time parecia voar em campo. O meio campo era consistente, a marcação passava tranquilidade, a zaga dava conta do recado, e na frente muitas finalizações. Se bem que aí começaram os problemas. O time jogava bem, mas a bola nunca que entrava.

O ano de 2008 andava e a equipe não marcava gols. Não falo de gol bonito, de placa ou bicicleta. Nenhumzinho de bola parada, pênalti ou de mão com a ajuda do juiz. Não tinha jeito. É bom lembrar que em um campeonato de pontos corridos, o empate vale um ponto. A equipe foi a que mais empatou no campeonato. No final do ano, o técnico percebeu que o problema estava no esquema e começou a alternar entre um 4-4-2 e 3-6-1. Os adversários tinham mais facilidade em chegar na área, é verdade, mas nunca em todo o ano a equipe marcara tantos gols. O saldo era fraco, mas a boa pontuação do final da temporada garantiu a Sul-Americana.

O clube que começara 2008 como favorito ao título, nem Libertadores conseguiu. Em 2009, as pretensões diminuíram. O discurso da diretoria é que uma vaga na Libertadores é a grande meta. Nos bastidores, todos querem mesmo é o título. O esquema tático desse ano ainda não está bem definido. Espera-se alguns reforços que podem vir das categorias de base. Mas ainda há uma esperança em repatriar jogadores que foram grandes promessas no clube. Não há consenso, porém, entre a diretoria quanto a algumas contratações. Há jogadores que não passaram de promessas.

Mesmo no meio de tantas incertezas, pasmem, meus amigos, os gols têm saído. Incrivelmente, em apenas alguns meses a equipe já superou o número de gols marcados de toda a temporada passada. E se amistoso valesse ponto, o clube estaria bem, pontuando em todas as rodadas. Não se sabe bem porque, mas apresenta dificuldades em casa, onde seu desempenho é fraco. No último jogo ficou no empate, o que pode ser considerado uma vitória devido ao retrospecto desfavorável. Teve também lances polêmicos. Gol anulado quando o jogador já comemorava com a torcida em campo. Segundo o juiz, a bola não entrou.

O time tem surpreendido muita gente. No último jogo, teve gol de bicicleta. O ano começou só com gol de pênalti, mas agora já tem bola na rede fruto de jogada trabalhada.

Pouco se sabe sobre o potencial de algumas equipes, principalmente às que estavam na série B. Tem time que ganhou amistoso e já se considera na primeira divisão. Tem equipe que parece que quer cair. E tem a equipe dessa blogueira...que lamenta tanto grenal na fase do mata-mata. Mas grenal é um jogo pegado, no fundo todo mundo sempre espera por um.

E a pré-temporada chega ao seu fim. Em breve o campeonato começa. Como eu expliquei acima, pode-se conquistar o título ou ser rebaixado. Na jogada trabalhada da vida, leva cartão quem faz falta e cai nas graças da torcida quem faz gol bonito...

quinta-feira, abril 09, 2009

Lá se vão 20 anos...


Em função do centenário, abordei aqui sobre a origem do Sport Club Internacional. Me parece pertinente falar sobre a origem do Inter na minha vida. O dia em que esta blogueira descobriu a paixão pelo Clube do Povo. As lembranças são vagas, os dados são imprecisos. Falarei sobre o que me recordo com exatidão.

Uma sala de uma típica família brasileira. Pormenores para dizer que a televisão ficava no centro e tudo, e todos, girava em torno do aparelhinho. Na frente, poltronas e a cadeira do papai, que na minha família era mesmo da vovó. Sim, minha vó se adonou daquela cadeira de um modo que ninguém poderia pensar em sentar nela na sua ausência. Tanto sentou lá, que hoje não pode mais por problemas na coluna. Mas ainda olhamos para aquela cadeira com medo de sentar ali. Eu brincava com alguma criança. Ah, acho importante dizer que eu tinha uns 4 ou 5 anos. E eu corria pelo apartamento da minha vó, local onde mais tempo ficava, em função do trabalho dos meus pais. E eu corria e gritava e berrava, como toda a criança quando está na casa dos avós. E minha vó era uma mulher ativa. Digo era, porque, hoje, a saúde lhe impede de realizar todas as inúmeras atividades que realizava naqueles anos. E meu vô fazia alguma coisa que não lembro,acho que lia. Isso ele muito faz até hoje. Minha tia não estava, creio. E meu tio, que morava lá, também não.

A televisão ligada e uma voz anuncia o início de um jogo de futebol. Parecia importante. Não pelo tom do narrador, porque no meio da brincadeira divertidíssima na qual eu me envolvia nem percebi o que o cara falava na televisão, mas pela reação da minha vó. Algumas voltas ao redor da tevê depois e ela anuncia "finalmente vou me sentar pra ver o jogo". Acho que o jogo não era bom, ou ela tinha muito a fazer, pois lembro dela várias vezes se levantando da cadeira do papai após o coemço da partida.

O tempo passa, acho que segundo tempo. Creio que gols ocorrem. E gols que deveriam ocorrer não ocorrem. Minha vó parece tensa e se acomoda com os olhos vidrados da tevê. "Vamo meu Inter". Então é o Inter que joga, pensei. E ela continua esbravejando a cada gol perdido. Como uma lamúria, como se perdesse algo precioso na sua vida, assim ela lamentava cada bola que não entrava. E de repente, começo a olhar para a tevê. E brinco um pouco mais, mas minhas atenções se vão dos lamentos de minha vó para a telinha. Uma camisa vermelha em campo. Minha vó falava em alguns nomes que não lembro. Mas era o Inter. Sim eu já sabia que o Inter usava camisa vermelha. O adversário vestia verde. Não parecia ser um time muito importante.

E aí, me sento na frente da televisão, no chão mesmo. Levanto muito a cabeça para enxergar a imagem na tela. Mas eu queria ver aquilo. O jogo parecia importante, uma derrota e o Inter daria adeus ao campeonato. Não sei se era mata-a-mata ou pontos corridos. O que sei é que o Inter precisava vencer e o gol não saía. Lembro de um homem, rosto vermelho a se esbravejar na beira do campo (Abel Braga,quem sabe). E o lamento de minha vó segue. E eu começo a falar sem perceber "vai vai". Eu também queria o gol do time da camisa vermelha naquele momento.

Por um instante, minha vó não se lamenta e nem sofre, ela olhe pra mim e sorri. Logo após um "vai vai" que eu disse. Na hora não entendi aquilo.

Mas o jogo segue e o gol não vem. O outro time começa a festejar. Eu odiei aquela camisa verde por instantes. E o jogo acaba. O homem de rosto vermelho põe as mãos sobre a cabeça, numa espécie de tribuna que fica a beira do campo. "Acabou será isso", penso. Olho pra minha vó, e ela balança a cabeça com os lábios cerrados. Era o fim. Que merda, eu penso. Na mente me vieram frases como "esse time vai se classificar na próxima" ou "deixa, o Inter vai ganhar vários campeonatos". Olho para o cara que se lamentava, o técnico, e penso "tu vai ganhar muito ainda, tu vai".

E então, a "magia" acontece. Uma lágrima escorre de meu rosto. E de repente, minhas duas mãos, que eram tão pequenas naquela época, começam a secar as lágrimas. Minha vó silencia. E eu não vejo mais nada ao meu redor. Daquele dia em diante, eu não conseguiria tirar meus olhos do Inter...

quarta-feira, março 25, 2009

Extra! Extra! Novas baboseiras da Anna no blog...

O baboseirannas não está de aniversário. A blogueira não ganhou na loteria e decidiu que não iria mais trabalhar na vida. Nem está sob efeito de algum alucinógeno. Você que está lendo também não, eu acho. Mas o baboseirannas está cheio de novidades. Na verdade, estará dentro de alguns dias.

O seu blog preferido será temático. Cada mês um tema vai direcionar as postagens. Evidentemente poderão aparecer textos que nada tem a ver o tema do mês. E a novidade vai até quando eu me cansar dessa baboseira.

Mas vocês querem, ainda, saber o que deu em mim para vir, toda faceira, em plena quarta-feira, anunciando novidades no blog, não é?

Por algum tempo este blog só tinha reportagens. Era um trabalho jornalístico "sério". Os colorados estavam adorando. Várias informações sobre o Inter. Pitacos sobre o Grêmio. Delírios sobre futebol. Volta e meia um comentário sobre jornalismo e política. Escutei algumas vezes coisas estranhas por conta disso, como " tu trabalha na assessoria do Inter?".

Para falar a verdade, estive muito perto disso. Mas foi no momento em que o blog virou diário. Aqui eu escrevia tudo o que sentia. Tudo mesmo. Super subjetivo. O vermelho podia ser pelo Inter ou por falar de coisas do coração, Que frase ridícula essa...mas tudo bem.

Eu agradeço a quem leu. Agradeço ao blog. Passei por um momento onde me perguntava tanta coisa que fiz a melhor terapia do mundo: escrevi. Agora as coisas estão calmas. Eu tô trabalhando, a vó tá bem, família se ajeitando, e o destino tem sido generoso em outros aspectos da vida. Embora eu ainda não faça idéia de onde estarei após a formatura, e tenha outras incertezas sobre minha vida. Porém, estou lidando com as dificuldades, e com as coisas boas, de maneira mais tranquila. Encontrei paz na minha vida. Mesmo fazendo monografia e mesmo passando por situações inusitadas.

Quem ganha é quem lê meu blog. Chega de papo, vamos ao que interessa.

Todo mês serão postadas matérias sobre um assunto específico. Leia-se aqui matérias jornalísticas, com fontes, lide e fotos. Também textos sobre o referido tema do mês, com informações relevantes ou meros achismos. Também haverá uma nova seção, com nome a ser escolhido, com a imagem do dia. Uma imagem sobre algo relacionado, simultaneamente, ao assunto do mês e a vida desta blogueira.

Para o mês de abril o tema já foi escolhido. Será sobre o Internacional. O clube completa 100 anos no próximo dia 4, daqui a exatos dez dias, e o Baboseirannas irá festejar a data com seus leitores. Serão postadas matérias sobre colorados ilustres. Pessoas, como você e eu que já fizeram loucuras pelo Inter. Pessoas que se tornaram importantes na vida do time e que esta que vos fala teve a oportunidade de entrevistar. Imagens sobre viagens e eventos em que participei. Imagens que me remetem a algo do Inter.

Como sempre foi, também nesta nova fase do baboseirannas comentários e sugestões serão aceitos.

Aguardem que dentro de dias, o blog apresentará suas novidades Muitas surpresas estão a caminho. Aguardem. A partir de 1º de abril....É sério!!!


PS: A foto é da casa de um americano, que precisou trocar sua residência de lugar para ceder o local a uma nova construção e não tinha a intenção de se desfazer da casa, construída no final dos anos 1880. A imagem ganhou destaquetambém, porque Doug Kramer fez a casa de 6o toneladas passar por um lago congelado. Janeiro de 2009, White Bear Lake, estado do Minnesota. Foto reproduzida do jornal The Star Tribune.


sexta-feira, março 06, 2009

Não precisava ser assim...


Quando eu perdi o carnaval em função do trabalho eu bem que pensei algo como “ quantos sacrifícios ainda farei nessa profissão”.Mas feriados e datas como Carnaval, natal e ano novo eu bem que imaginei que poderia um dia ficar sem festejar. Então de alguma maneira era uma tristeza anunciada.

Agora, perder o aniversário de oitenta anos da minha vó não estava em meus planos. Era apenas a festa de aniversário da pessoa mais importante da minha vida. E o medo que seja o último dela. E com que ânimo eu vou conseguir trabalhar durante aquelas horas em que minha família estará reunida comemorando as velhinhas que minha vó sopra Vai ser sábado a noite. Somos dois estagiários, em casos assim um troca o findi com o noutro. Meu colega sai sexta e o novo só vem segunda. Já odeio o coitado, confesso. Bem que ele podia começar nesta sexta. Sei lá porque não...só começa na segunda e o findi sobrou pra mim. A outra alternativa era trocar com alguém da outra editoria.O meu colega aceitou...ganharia o sábado. Mas não é aniversário de namoro dele, não rola né. Ou seja, sim estarei trabalhando e não poderia estar no único lugar do mundo onde eu gostaria de estar naquele momento.

Farei uma loucura, vou de madrugada pra Santa Maria e volto a tarde pra trabalhar no sábado a noite. Mas perderei o “momento”. Chegou um momento hoje em que eu pensei em largar tudo. Afinal é o aniversário da minha vó. Mas algo me impediu de fazer isso. Um conselho dela me cairia bem agora. E agora só um pensamento vem a minha mente “Será que vai valer a pena tamanho sacrifício?” Não sei.

Só sei que é bom que more sozinha. Ia soltar as patas em quem passasse na minha frente. Tive vontade de gritar com a minha vizinha só porque escutei a voz dela. Recebi uns emails que tenho q corresponder, mas não fiz pq a púnica coisa que eu queria dizer “ vá a merda tudo isso” E ainda bem que ninguém puxou papo no MSN, pq ia sobrar pra essa pessoa. É de novo, recorro a este blog para soltar minha raiva. Scho que devia mudar o nome para “saco de pancadas”, pq sempre que tô com raiva do mundo venho aqui e despejo tudo.

Me sinto melhor. Por algum motivo nesse mundo, a origem do meu sacrifício é o que me fez seguir esta profissão. Escrever me acalma. Mas neste sábado irá me deprimir.

Feliz Aniversário, vó! Te direi pessoalmente, antes que todo mundo chegue pra festa :)

quarta-feira, março 04, 2009

Anna by Anna - É primavera...


Tem uma coisa que eu quero escrever e não posso. O pessoal lê esse blog. Pessoas diretamente ligadas ao que eu queria escrever. E não é que no final alguém acha isso interessante. Seja pelas merdas que eu escrevo. Seja só pra saber da minha vida. Uns usam o telefone, outros lêem blog. Os mais ousados fazem outras coisas...sei lá..tipo mandam flores. Eu não vou falar do que quero, por isso vou tangenciar. É isso, vou falar de flores.

Sempre gostei das flores do campo. Eu ainda vou ganhar um buquê de flores do campo. Não, melhor, eu vou sempre ter um vaso com flores do campo na minha casa. Se um dia eu casar, com direito a altar e festa, o meu buquê vai ser de flores do campo. Gosto do colorido e da simplicidade. Sei lá porque, mas flores do campo são minhas preferidas. Gosto do cheiro, que não é mais belo, mas é tão único. Gosto do que é único. Flores do campo podem parecer tão iguais, banais e corriqueiras, mas são únicas.

Rosas vermelhas também são bonitas e tal. Todo mundo acha lindo um buquê de rosas vermelhas chegando na sua casa numa manhã cinzenta de uma segunda feira que será longa. Um dia longo começando com um buquê de rosa vermelha e um simples cartão. Com três palavras e uma assinatura. Ou com uma assinatura apenas. Rosas vermelhas também me agradam. Sou banal aí. Mas não sou hipócrita de negar que me agradam. Gosto do cheiro das rosas vermelhas, mas não sei defini-lo. Quando penso em rosas vermelhas, me vem à mente uma rosa se abrindo, como se sorrisse pra mim. Rosas não sorriem, nem flores.

Gosto também de orquídeas. Mas já não se encontra mais nessa época do ano. A verdade é que quando estavam em fartura eu pouco aproveitei. Até trouxe umas pra casa, mas não cuidei bem. Enfeitaram a casa como poucas flores conseguirem.

Lírios me lembram requinte. Parece que ainda não combinam com minha casa. E se um dia combinarem, ficarão na entrada. Um lírio apenas como a saudar quem chega. E continuar transmitindo a paz que minha casa transmite. Uma amiga me disse isso esses dias “tua casa transmite uma paz”. Houve uma época que eu muito quis escutar isso.

Houve uma época em que tanto quis que algumas coisas acontecessem. E só aconteceram agora, que já nem sei mais se quero que aconteçam. Mas ainda gosto de flores. Prefiro o cheiro das rosas vermelhas. Mas elas têm espinhos. Por isso fico com minhas flores do campo. Simples, cheiro leve, mas únicas. E as flores do campo estão presentes na minha casa.
Entraram sem que eu percebesse, e hoje não vivo sem minhas flores do campo. Abandonei as vermelhas cujo cheiro me encanta, mas seus espinhos já me machucaram. Gastei alguns Band-Aid. Hoje nem Band-Aid tenho mais em casa. Só flores do campo. Na verdade confesso que ainda não estão aqui todo o dia. Mas com o tempo estão cada vez mais próximas de mim. E as vermelhas mais distantes. Sei como agir com as minhas flores do campo. Mas confesso que não sei o que faria se acordasse com um buquê de rosas vermelhas na porta de casa...

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