Mostrando postagens com marcador Reportagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reportagens. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, maio 20, 2010

Com um pé na África



Saiba como estão se preparando e as expectativas de dois jornalistas gaúchos que farão a cobertura da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul

A Copa do Mundo inicia oficialmente dia 11 de junho, mas muitos brasileiros já vivem a Copa. E alguns já começaram essa vivência bem antes da convocação ocorrida na terça, dia 11. São os jornalistas que irão fazer a cobertura do maior evento de futebol a nível mundial. É através deles que a maioria dos mortais vai poder saciar suas curiosidades, angústias e poder torcer por sua seleção ou simplesmente acompanhar no conforto de sua casa o que há de melhor no futebol. Zé Alberto Andrade (foto 2), da rádio Gaúcha, e Flávio Dal Pizzol (foto1), da Guaíba, embarcam em meados de junho para a África do Sul. Na mala, a experiência de duas Copas, a ansiedade de novato e a expectativa da primeira Copa em um continente africano. Mais do que garantir a vacina contra febre amarela e ter a validade do passaporte em seis meses da data da volta, únicas exigências para a entrada no país, há meses os jornalistas já se preparam para essa viagem.


Zé Alberto esteve na África do Sul ano passado para a Copa da Confederações, o que lhe deu uma ideia da realidade do país. Um dos problemas observados durante o evento, e que o país se comprometeu a revolver para a Copa do Mundo, é a questão do transporte. “O sistema de trânsito é caótico, o nosso também é, mas eles não têm o transporte coletivo e os trens são de baixa qualidade”, relata Zé Alberto. Segundo o jornalista, a segurança também preocupa. “Seis horas da tarde a cidade tá vazia, ninguém está na rua”, conta. Algumas orientações foram dadas para evitar esses problemas, como andar em grupo, evitar caminhar a pé na rua, ter cuidado ao pegar táxis (há muitos veículos ilegais) e, à noite, procurar andar somente em shoppings. Os eventuais problemas encontrados na África podem contribuir para a realização da Copa no Brasil, daqui há quatro anos. Segundo o jornalista, “a gente pode avaliar lá quais as dificuldades que um país de terceiro mundo pode ter”, e completa “eu tenho a expectativa de ver o que vai funcionar e o que não vai funcionar para daqui há quatro anos a gente ver o que vai funcionar no Brasil”. Quanto a questão racial, para Zé Alberto, “há uma tensão permanente, embora não haja uma hostilidade explícita”. O jornalista observou que não há miscigenação, com exceção da região da Cidade do Cabo. A equipe da rádio Gaúcha já possui reserva desde dezembro no hotel e, dentro da equipe de 22 profissionais que vai, todos os repórteres ganharam uniformes, mala, lap top, black berry, além de equipamentos modernos de transmissão que o grupo RBS estará levando para o país. Zé Alberto consegue se comunicar em inglês, mas frequenta um curso de inglês desde o ano passado. O jornalista promete retribuir o investimento e a expectativa do público em seu trabalho e promete “total empolgação”. “Eu gosto muito de trabalhar com seleção por a gente estar em contato com pessoas que são fato no mundo inteiro e com colegas que são os de ponta na nossa área, e quando tu está no meio desses caras tu tem que fazer coisas dignas do que eles fazem, então eu acabo dobrando meu esforço, ressalta.

O jornalista Flávio Dal Pizzol acredita que “a experiência facilita um pouco” para a realização de uma boa cobertura de Copa do Mundo. O repórter, que está na sua terceira Copa do Mundo, já participou de Copa América, Copa das Confederações e Olimpíadas em seus 15 anos de rádio Guaíba. O grupo Record enviará seis profissionais do estado, incluindo profissionais de jornal e rádio. Um jornalista da Record São Paulo já está no país e também ajudará os repórteres em eventuais problemas de logística. Dal Pizzol também acredita que a realização da Copa na África do Sul servirá como parâmetro para a Copa de 2014. “Talvez como o Brasil está tendo dificuldades , a África do Sul também teve dificuldades para montar toda a estrutura”, opina. O jornalista espera problemas quanto a deslocamentos devido a problemas nos transporte.

Quanto ao protagonista do evento, o futebol, tanto Zé Alberto quanto Dal Pizzol consideram a seleção brasileira favorita ao título, mas apontam alguns obstáculos que a seleção terá. “O que eu temo é que os jogadores não cheguem no melhor condicionamento”, argumenta Zé Alberto, que cita problemas em jogadores como Kaká e Luis Fabiano. Dal Pizzol alerta para outros candidatos ao título, como a Argentina e Espanha. “conversei com Nilmar - que joga em, uma equipe espanhola - essa semana e ele tá apostando que a Espanha vai incomodar. Zé Alberto acrescenta a Holanda nessa lista de candidatos ao título. “Tenho muto curiosidade pela Holanda, com uma geração de jogadores que está muito bem e parece ter resolvidos problemas internos”, aponta.

domingo, abril 11, 2010

A capital do esporte, dentro e fora de campo



Cursos visam qualificação para profissionais que trabalham com esporte

As confirmações das realizações da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 elevaram o papel do Brasil dentro do cenário esportivo mundial. E um dos primeiros reflexos disse é a busca de maior qualificação no mercado esportivo. Cursos voltados a capacitar profissionais a trabalhar e entender melhor o esporte têm se proliferado por todo o país. Em Porto Alegre, atualmente, quatro cursos mostram esse outro lado do esporte. Um lado que pouco aparece nas câmeras, mas que é fundamental para o sucesso do Brasil nessa sua nova função esportiva.

Iniciado em março de 2009, o Kick Off da Perestroika busca mostrar o futebol através do jornalismo esportivo, marketing e gestão de clubes. Jogadores de futebol, dirigentes, cronistas e publicitários participam mostrando sua experiência de vida e transmitindo ensinamentos a um público formado por estudantes e profissionais das áreas da comunicação, educação física, administração e outros. “Um projeto muito inteligente e que me atraiu de cara, vi a possibilidade de fazer algo onde realmente pudesse contribuir com a qualificação do profissional do futebol, seja no jornalismo, no marketing, na gestão de algum clube ou no simples conhecimento sobre o esporte”, lembra o coordenador Nando Gross. Para quem fez o curso apenas por gostar de futebol participar de eventos com Falcão, Dunga e outras personalidades por si só já faz a experiência valer a pena. O Kick Off está na terceira edição e é aberto a qualquer pessoa.

Já o curso organizado pelo Sport Club Internacional, “Futebol:Gestão profissional – da estrutura do clube à montagem da equipe de jogo”, se propõe a abordar a parte de gestão, marketing e preparação técnica utilizando exemplos de dentro do próprio clube. “Todo o curso procura ser prático, desenvolver ferramentas para serem aplicadas no trabalho”, explica o coordenador Jorge Farias. Segundo Farias, a ideia de montar um curso nesses moldes “surgiu da necessidade de desenvolver os talentos do clube”, mas é aberto a qualquer pessoa que esteja interessada nos temas propostos. Profissionais do Internacional ministram aulas para uma turma de 70 alunos, formado por um público heterogêneo, com pessoas oriundas de Minas Gerais, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O curso tem caráter de extensão e já estão sendo aceitas matrículas para a terceira edição, que começa no segundo semestre deste ano.

Também com característica de extensão é o curso criado pela PUC, “futebol e jornalismo”. Ministrado por jornalistas de diferentes mídias, Christiane Matos (do Diário Gaúcho), Vagner Martins (Bandeirantes – TV e rádio) e Eduardo Gabardo (rádio gaúcha), além do coordenador Luciano Klöckner o curso, que deve iniciar na próxima segunda, dia 12, é um projeto que está sendo retomado pela universidade. A preocupação de trazer profissionais de diferentes mídias se dá, segundo a jornalista Christiane Matos pelo fato de que “por mais que seja futebol a abordagem é diferente”. Aberto ao público em geral, “é voltado principalmente para alunos de jornalismo que estão em dúvida sobre qual área seguir dentro da profissão”, explica Christiane, que completa, “o intuito é mostrar como funciona o dia-a-dia dos repórteres, o que é preciso, situações e problemas”. As aulas incluem participação de jornalistas convidados, dirigentes e jogadores da dupla gre-nal, além de visita a estádios e veículos de comunicação. Para estudantes universitários, o curso também tem validade de carga horária extra.

A Faculdade Sogipa criou uma especialização em Gestão no Esporte, que deve iniciar no dia 17. Pelo caráter de especialização é restrito a profissionais diplomados e os alunos são oriundos da Administração, Educação Física e Comunicação Social, principalmente. A faculdade, que está no terceiro semestre, passou a desenvolver cursos de pós-graduação recentemente, “a busca da valorização, não só alunos novos como também agora alunos já formados e oferecemos um programa de cinco ofertas de pós-graduação”, informa o diretor acadêmico professor Ulf Georg Klemt. A especialização Gestão no Esporte apresenta disciplinas, como ética no esporte, empreendedorismo, legislação esportiva, um histórico do esporte e finaliza com um trabalho de conclusão. “O foco hoje é ter um gestor que recebe para isso, não só de clubes de futebol, mas clubes esportivos”, explica o colaborador professor Rogério da Cunha Voser. A faculdade já possui o curso “ensinamento e treinamento em futebol e futsal”, que está prestes a começar sua segunda edição, mas buscou uma abordagem mais ampla nessa especialização de gestão no Esporte. Segundo, Rogério, “algumas mudanças que ocorreram como a lei Pelé e a transição do clube tradicional para clube empresa, a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil, ou seja, cada vez mais vão ser necessários profissionais qualificados” e, por isso, o curso de gestão busca ir além da preparação e englobar diferentes temas que costumam ser abordados separadamente. Com uma turma entre 20 e 30 alunos, vindos de diferentes lugares do país e de profissões variadas como administradores, jornalistas e profissionais de educação física, o curso terá uma carga horária de 360 horas com profissionais do meio acadêmico, dirigentes da dupla grenal e profissionais da própria Sogipa.

Para o consultor esportivo Amir Somoggi “o futebol passa por longo processo de profissionalização iniciado com o novo ambiente político e legal na década de 90, mas que na prática somente tomou corpo depois de 2003”, o que causa no mercado essa necessidade de qualificação. Para ele outro motivo que justifica a procura por qualificação é o “aumento do interesse de jovens em trabalhar com gestão esportiva” e, quanto ao futebol, a paixão seria uma das razões “já que o sonho de quem ama futebol é poder trabalhar na sua área de atuação com o seu esporte favorito”, ressalta Somoggi. O consultor ressalta que por melhores que sejam os cursos só isso não é garantia de bons profissionais, “é importante também atuar na área, a fim de ganhar experiência e conhecer o dia a dia das entidades”, acrescenta.


* Na foto: Dunga em uma aula do Kick Off no ano passado

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Joga Alegre, uma peneira diferente



No campo Cidade de Deus, no bairro Cavalhada, muitos meninos tentam toda semana tornarem-se jogadores de futebol. É o projeto Joga Alegre, que consiste na captação de atletas para o clube que realiza o projeto, o Porto Alegre. Pioneira na iniciativa no Brasil, desde junho de 2009, o clube busca nessa peneira os jogadores que formarão o plantel da equipe que disputa a série A do Gauchão.

Os meninos interessados, nascidos entre os anos de 1990 a 1996, fazem a inscrição no site, apresentam juntamente com o formulário preenchido no site um exame médico e um termo de responsabilidade de um maior de 18 anos, Após agendam um teste. Todas as segundas e terças são realizados treinamentos em dois campos para avaliação de possíveis jogadores. Os pré-selecionados continuando treinando, inclusive participando de amistosos com outras equipes, e podem vir a jogar nas categorias de base do Porto Alegre.

O projeto é uma iniciativa das categorias de base do Porto Alegre e dele saíram cinco titulares do clube da capital: os atacantes Bernardo e Gustavo, o zagueiro Carlão, o volante Iuri e o meia Rafael. Atualmente o clube possui além da equipe principal, os juniores, dos quais 13 dos 32 atletas vieram do projeto, e devem disputar o gauchão de juniores que começa dia 15 de março. A ideia do clube é formar também um time de juvenis, todos oriundos do projeto. “Toda semana aparecem aqui cerca de 70 meninos, desses geralmente dois são aproveitados”, afirma o supervisor técnico das categorias de base do Porto Alegre e coordenador do projeto, Fabian Tardiello. “No começo do Joga Alegre vinham cerca de 120 por semana”, completa Fabian.

Os jovens são divididos pela idade em três categorias, infantil, que são os nascidos nos anos de 1995 e 1996, juvenil, anos de 1993 e 1994 e junior, 1990, 1991 e 1992. Eles são avaliados por três treinadores e dois auxiliares. Dos técnicos, dois são ex-jogadores e outro teve uma vivência na Europa. “Nosso trabalho é ver o talento físico e emocional”, ressalta Fabian. Segundo ele, muitos meninos possuem talento mas falta a maturidade e o preparo emocional necessários a um atleta. “Estamos buscando aquele que, talvez tecnicamente, não seja tão bom hoje, mas que é focado e tem uma mentalidade vencedora e competitiva, porque a parte técnica e competitiva a gente vai treinar, mas o fator a mais é que procuramos”, completa. A ansiedade por um resultado positivo não é só dos meninos, mas também de seus pais, que costumam acompanhar os treinamentos.

Outro objetivo do projeto, além da captação de atletas é de cunho social. “Esses jovens poderiam estar fazendo qualquer coisa na esquina ou na rua, mas estão aqui tendo noções de disciplina e respeito, destaca Tardiello. E faz parte da estratégia de desenvolvimento do clube, que “tenta se posicionar como uma terceira força do futebol da capital”, como ressaltou Tardiello.


sábado, fevereiro 06, 2010

Grêmio firma convênio com escolinha de futebol feminino


Escolinha Feminina do Grêmio, o futebol feito por e para mulheres
Nascida com o objetivo de suprir uma demanda da capital, desde 15 de julho de 2009, a escolinha de futebol feminina do Grêmio funciona em Porto Alegre, com sedes nas Zonas Sul e Norte. Atualmente com 80 alunas matriculadas, nas idades entre 7 e 30 anos - a escola já chegou a ter cerca de 150 alunas durante o ano letivo -, o projeto idealizado pelas professoras Tatiele Silveira e Naná Varela, com a colaboração de mais duas professoras, Suelen Ramos e Carine Gomes, proporciona futebol para meninas e mulheres das mais classes sociais. “O grupo é bem diversificado, temos alunas de escolas públicas e particulares, além de meninas de outras cidades, como Gravataí, Cachoeirinha e Novo Hamburgo”, afirma Tatiele, mais conhecida como Tati. A escolinha é conveniada ao Grêmio, que abriu uma exceção para o projeto. “é uma conveniada com carinho, já que o Grêmio tem como política não firmar convênio com escolas da capital”, conta a professora Naná.
Em média de quatro turmas semanais têm aulas na escolinha. Sendo uma turma para adultos, que funciona à noite. Já as turmas para meninas de até 17 anos, além das duas aulas semanais, se revezam no futebol de campo aos sábados, quando a aula ocorre no campo no CT Parque do Cristal. As meninas costumam disputar amistosos com equipes de colégios e, muitas delas, também frequentam aulas de futebol em suas escolas. A escolinha também orgulha-se do resultado obtido na Copa Tricolor, na qual conquistou os três primeiros lugares. “Era um campeonato pequeno, com apenas 5 equipes, de diferentes idades, mas o desempenho delas nos encheu de orgulho”, relata a professora Tati. As professoras planejam disputar o Campeonato Gaúcho, com data ser definida, e negociam a liberação no clube. Para esses torneios a escolinha ainda busca patrocinadores.
Uma peculiaridade da escolinha é que toda a equipe de professores e o administrativo é composta por mulheres. “Essa característica estava no projeto inicial que levamos ao Grêmio, em abril do ano passado”, conta Tati. Para a professora, uma aula feita por mulheres ajuda as meninas. “Joguei a minha vida toda e nunca tive professoras mulheres”, conta. E complementa “as meninas se sentem mais à vontade com professoras para relatar sobre seus problemas, como cólicas menstruais”.
As aulas têm duração de uma hora, que é dividida entre fundamentos técnicos e treinos coletivos. A taxa de matrícula é de R$ 100 e inclui a roupa de treino (camisa, calção e meia). Já a mensalidade é de R$ 50, com desconto de 20% para sócios do Grêmio. O projeto tem a mesma direção da escolinha masculina do Grêmio, sob a direção geral de Francisco de Paulo Motta França e direção de futebol de Cesar da Rocha. Mais informações podem ser obtidas no blog http://gremiofeminino.wordpress.com/


terça-feira, dezembro 15, 2009

Fossati e os técnicos estrangeiros no Brasil



Nesta segunda-feira, dia 14, o uruguaio Jorge Fossati foi apresentado oficialmente como técnico do Internacional. Com convicções em sintonia com a direção colorada e um currículo de peso no futebol sul-americano, o ex goleiro rejeitou uma proposta da seleção equatoriana e acertou com o time gaúcho por US$ 100 mil, cerca de R$ 175 mil mensais.

Como treinador, Fossati teve passagem pelas seleções do Qatar e Uruguai e treinou as equipes uruguaias do River Plate, Peñarol e Danúbio, Cerro Porteño do Paraguai, Colón da Argentina, Al-Saad do Qatar e LDU, do Equador. Como goleiro passou pelo Avaí e Coritiba e em times do Uruguai, Argentina, Colômbia, Paraguai e Chile.
Feitas as devidas apresentações, fica a pergunta: apostar em um técnico com experiência no futebol sul-americano pode dar certo? Ou então: será Fossati o primeiro treinador estrangeiro a treinar uma equipe brasileira e conquistar um grande título?
Apesar de ser o país do futebol, o Brasil não costuma exportar treinadores e tampouco importar. Jogadores brasileiros fazem sucesso e valem milhões no mundo todo. Poucos treinadores oriundos de nosso país conseguem sucesso lá fora. E dos estrangeiros que passaram aqui nenhum conquistou um título de grande expressão como uma Libertadores ou um certame nacional. Será essa a hora de um treinador estrangeiro penetrar definitivamente no futebol brasileiro através de uma passagem vitoriosa?
Essa parece ser a meta de Fossati. O uruguaio é o sexto treinador de outro país contratado pelo Internacional. E o quarto uruguaio. O chileno Elias Figueroa foi o último estrangeiro a comandar o Inter, no ano de 1996 e por alguns jogos. Os outros dois uruguaios que comandaram o Inter foram Ricardo Díez Santa Cruz, em 1942, Felix Magno, com uma rápida passagem em 1949 e Pedro Rocha, em 1996. Também passou pelo colorado o peruano Darío Letona, em 1946.
Díez também passou pelo rival Grêmio, que já teve técnicos estrangeiros em outras quatro ocasiões: em 1985 com José Omar Pastoriza, em 1987 com Juan Mujica, em 2003 com Darío Pereyra e em 2005 com Hugo de Leon.
No caso da dupla Grenal, Díez teve uma passagem exitosa em sua passagem pelo Inter, quando conquistou o campeonato gaúcho. Já no âmbito nacional, pode-se destacar o trabalho de Ricardo Dìez no comando Atlético Mineiro, no qual foi Campeão do Gelo em 1950 (torneio disputado com times europeus) e conquistou cinco títulos mineiros nos anos 50 (de 1952 a 1956), quebrando um recorde na época. O argentino José Poy alcançou o vice da Libertadores pelo São Paulo em 1974. O uruguaio Humberto Cabelli é considerado um dos dez maiores treinadores da história do Palmeiras. Outro estrangeiro que se destacou foi Darío Pereyra que levou o Paysandu a derrotar o Boca Juniors na Bombonera e conquistou o título mineiro pelo Atlético Mineiro. Darío foi o treinador estrangeiro que mais equipes brasileiros comandou. E o São Paulo foi o time que mais técnicos estrangeiros contratou, foram dez estrangeiros.
O maior sucesso dos técnicos gringos foram conquistas de regionais, como o paraguaio Alfredo González que conquistou o título carioca pelo Bangu e Ramon Platero que ganhou os cariocas pelo Fluminense e Vasco. A grande maioria teve passagens tímidas nas equipes brasileiras que comandaram.
Segue abaixo uma relação com os gringos que já comandaram equipes brasileiras e algumas dessas equipes. Encontrei registros de argentinos, uruguaios, dois chilenos, um peruano, um paraguaio, um português e um húngaro,
Argentinos
Ponziníbio, São Paulo (1940)
Alexandre Galán "Jim Lopes" , Portuguesa Palmeiras, Juventus, São Paulo e Corinthians, nos anos 50
Giu di Célio , Vitória (ES),
Armando Renganeschi , São Paulo (1958) e Flamengo (de 1965 a 1967)
José Omar Pastoriza , Grêmio e Fluminense em 1985
Daniel Passarela, Corinthians (2005)
 
Uruguaios
Pedro Mazzullo, Corinthians 
Ruben Delgado, Tiradentes (DF), 
Sérgio Ramirez, Bragantino, Avaí (2007) e Joinvile (última passagem em 2009) 
Carlos Viola Solo, Sport (PE)
Danilo Menezes, ABC do Rio Grande do Norte (1980)
Ondino Vieira, Fluminense (1938-1941) e Vasco (1945)
Ramon Platero, Fuminense (1919), Flamengo (1921), Vasco (1923- 1924), Palestra (SP), São Paulo (1940)
Conrado Ross, São Paulo (1942-1943), Portuguesa (SP), Guarani (SP)
Pedro Rocha, Guarani (1987), Internacional (1996)
Humberto Cabelli, Náutico, Palmeiras (1930, 1932 a 1935) e Fluminense (1944-1945)
José Poy, São Paulo (entre os anos de 1964 a1982)
Pablo Forlán, São Paulo em 1990
Darío Pereyra, São Paulo (1997-1998), Coritiba (1998), Atlético Mineiro (1999), Guarani (2000), Corinthians  (2000), Paysandu (2003), Grêmio (2003) e Portuguesa ( 2004)
 
Outras nacionalidades
O paraguaio Alfredo González comandou o Bangu (RJ) em 1966. Já o português Jorge Gomes de Lima, o Joreca, treinou o São Paulo de 1943 a 1947. O húngaro Bela Guttmann treinou o São Paulo, em 1957. E o chileno Roberto Rojas treinou o São Paulo em 2003.
Foto: Marcos Bertoncello

terça-feira, abril 28, 2009

Guacir, um colorado especial *


Deficiente físico viajou até o outro lado do mundo pelo Inter


Ao comemorar o primeiro aniversário do título mundial muitos colorados não se cansam de lembrar os momentos mais gloriosos do Internacional. Os privilegiados que foram até o Oriente estão entre aqueles que exaltam todos os dias os obstáculos que venceram para acompanhar o time tão longe. Alguns venceram obstáculos financeiros para chegar ao Japão, outros venceram o cansaço das quase 48 horas de viagem, outros as dificuldades da língua. Mas existem torcedores que venceram obstáculos especiais.

Guacir Llano Bueno é um desses. Ex brigadiano, ele foi sozinho ao Japão. Na verdade contou com a colaboração de um amigo. Guacir é aposentado e não teve problemas para tirar férias no trabalho. Tampouco teve que se desfazer de algum bem para viajar. Mas nunca tinha ido tão longe desde que ficou paraplégico e perdeu os movimentos e a sensibilidade do peito para baixo. Além de não poder andar, Guacir tem limitações para fazer suas necessidades fisiológicas, o que o obriga a ir ao banheiro com frequência ou usar saquinhos acoplados na cadeira de rodas, os chamados coletores de urina. "Entre caminhar e sentir, eu prefiro sentir, meu maior problema é não ter controle sobre algumas coisas”, relata Guacir sobre sua impossibilidade de controle fisiológico. No avião, os coletores foram a alternativa encontrada.

Ao longo dos últimos dez anos, Guacir teve que encontrar muitas alternativas para sua nova vida. O tiro que fraturou sua medula, quando estava de folga dentro do seu carro em Caxias do Sul, mudou a vida do ex-brigadiano. Os primeiros três anos após o assalto foram de adaptação e fisioterapia. Após a confirmação da condição irreversível, veio a mudança para uma nova casa e a precoce aposentadoria.

Estava na Brigada Militar desde os dezesseis anos, tendo trabalhando diretamente com um governador do Estado e atuado como capitão do Batalhão de Operações Especiais (BOE). Guacir, após ser reformado, tornou-se medalhista paraesportivo no tênis de mesa, representando a ASASEPODE. Trata-se de uma associação dos servidores de segurança portadores de deficiência, agremiação que ajudou a fundar no Estado e visa dar suporte a pessoas que passam por situações semelhantes as suas.

Desde abril de 1997, quando ocorreu o assalto, muitos aprendizados e uma paixão que nem o tempo e nem as dificuldades apagaram: o Internacional. Guacir conversou com a família e pediu a colaboração de um amigo para acompanhá-lo na viagem e dividir o quarto. Muitas recomendações médicas e da fisioterapeuta. Aos quais ele próprio assume que foram ignoradas, como a proibição de ingerir bebidas alcóolicas. “Na volta não tinha como”, brinca o colorado. No final da viagem muitas histórias para contar e a certeza da superação de um desafio. “Esta é uma viagem que aterroriza até quem não tem deficiência”, afirma o brigadiano aposentado que hoje trabalha em um banco.

Das coisas que Guacir guarda do Japão, a gentileza e o trato dos japoneses com os deficientes físicos ganham destaque no seu relato. Ele conta de quando chegou ao hotel e percebeu que no quarto havia uma banheira. Mesmo com dificuldade de comunicação, prontamente os funcionários adaptaram o banheiro para o cadeirante. Instalações na cidade, como cabine telefônica própria para cadeirantes e espaços privilegiados no estádio são retratos de um país e de um povo que respeita a todos, sem distinção. “Telefone público adaptado, calçadas sinalizadas, acessibilidade universal do lugares”, assim Guacir descreve o país.

“O senhor iria ao Japão se tivesse que viajar sozinho”, lhe indago. ”Eu já me perguntei isso, mas sinceramente não sei”, responde ele. Também lhe pergunto se valeu a pena, e como resposta, um largo sorriso no rosto deste colorado que não mediu esforços por uma paixão.




* Matéria publicada no blog no dia 21/12/2007

sexta-feira, abril 03, 2009

Internacional: cem anos de glórias de uma paixão centenária

A centenária história do clube do povo

Fundação


Uma cidade em processo de modernização. Carroças substituídas por bondes elétricos, iluminação instalada por todo o município. Fábricas de máquinas, tecidos, móveis e cerveja. Assim era Porto Alegre em 1908. Em menos de dez anos a população da cidade quase dobrara de tamanho. E três homens ajudaram a contabilizar esta estatística, os irmãos Poppe. Henrique, José e Luis eram filhos de italianos que deixaram São Paulo para ganhar a vida em porto Alegre. Deixaram em São Paulo uma paixão, o futebol. Logo montaram sua loja e estavam determinados a viver sua paixão. Foram, então, procurar lugar nos clubes da cidade. Mas Grêmio F.B.P.A. e Fussball (ambos de 1903) não aceitavam “estrangeiros”, como eram chamadas as pessoas de fora. Assim como os irmãos Poppe, outras pessoas também não conseguiam jogar futebol ou praticar esportes por não serem aceitas. Eles então decidiram formar um clube.



Reuniões dominicais em uma pequena sala, que com o passar das semanas foi ficando pequena, selou o destino do novo clube praticante de “foot-ball”, como era escrito o esporte na época. Estudantes e empregados do comércio fundaram no dia 9 de abril de 2009 o Sport Clube Internacional. Uma agremiação onde qualquer pessoa, oriunda ou não da capital gaúcha, pudesse participar. Passados 100 anos e a democracia ainda é um princípio do Internacional.

A primeira divisão do grupo surge. Enquanto alguns defendiam o vermelho e outros o verde. A primeira remetia à escola de samba Venezianos e a segunda aos Esmeraldinos. Venceu a cor vermelha. Quanto ao nome, a versão mais aceita é de que tenha sido inspirada em um clube paulista de mesmo nome, e pelo qual os irmãos Poppe jogaram. Em 1908 o Sport Club Internacional de São Paulo foi campeão paulista.


As primeiras conquistas


A partir de 1910, o Inter passou a disputar o campeonato entre os times da capital. E em 1927 o Inter conquista seu primeiro título estadual. No ano seguinte, o clube esteve próximo de fechar. O dono da chácara dos Eucaliptos decidiu vender o terreno e o Internacional não tinha condições para comprar a área. O engenheiro Ildo Meneghetti promoveu uma campanha de arrecadação e o Inter passou a ter sua própria sede. Em 1931 o Estádio dos Eucaliptos foi inaugurado e foi a casa colorada até o ano de 1969.




A partir de 1926, outro fato que viria a marcar o Internacional. O colorado passou a aceitar jogadores oriundos de ligas como, a liga das canelas pretas, onde só jogadores negros participavam. A abertura do Inter em relação a negros e classes sociais não aceitas em outros clubes da cidade lhe rendeu o apelido de Clube do Povo.

Rolo Compressor


Na década de 40 o Internacional formou um time bastante ofensivo que foi chamado de Rolo Compressor. Em nove estaduais disputados, o colorado venceu oito. No time, haviam jogadores como Tesourinha e Carlitos. Em 1945 o clube tornou-se o primeiro hexa campeão gaúcho. Nesta época uma figura lendária marca o clube, Vicente Rao, o primeiro rei momo de Porto Alegre. Criador da expressão “rolo” ele ficou conhecido por ser um animador da torcida. Foi na época do Rolo Compressor que começaram a aparecer as grandes bandeiras e a festa para a entrada do time em campo. A primeira torcida organizada do Brasil surgiu ali.


Nos anos 50 o estádio dos Eucaliptos trocou as arquibancadas de madeira por concreto, com recursos provenientes de arrecadações entre a torcida. O estádio do Eucaliptos sediou jogo da Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil. Nesta década se destacou a dupla Bodinho e Larry no ataque colorado. Em 1954, na inauguração do estádio Olímpico, o Internacional goleou seu rival por 6X2 com quatro gols de Larry. No Pan-Americano de 1956 a seleção brasileira teve como base o time do Inter. Dos 22 jogadores, oito eram colorados. E a seleção conquistou o Pan disputado no Chile. No final dos anos 50, outro marco do Internacional surgira, seu hino. O clube promoveu um concurso, mas nenhuma das letras satisfez a torcida. Em uma tarde de sofrimento, Nelson Silva escreveu aquela que seria a música dos colorados. Carioca e morador de Porto Alegre, ele acompanhou o desempenho ruim do colorado no campeonato de 1957, ao mesmo tempo que esquecera de um compromisso com a namorada. Nasceu naquela tarde triste o “Celeiro de ases”, o hino colorado.


Do tamanho do Brasil
Até os anos 60 a presença de clubes fora do eixo Rio-São Paulo era quase nula no cenário do futebol brasileiro. Em 1967, o torneio Rio/São Paulo foi estendido a clubes do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná. O colorado terminou em segundo lugar e foi o primeiro clube a vencer em São Paulo.

No ano de 1969 nasce o Gigante da Beira-rio. Um terreno doado pela prefeitura em 1956 marcou o início da construção. Como a área era dentro do Guaíba, as primeiras estacas foram fincadas em 1959. Colorados de todo o estado traziam tijolos e material para a construção do estádio. Campanhas nas rádios mobilizavam os torcedores. No dia 6 de abril de 1969, em um amistoso contra o Benfica de Portugal, Claudiomiro marca o primeiro gol do Beira-rio, cujo nome oficial é José Pinheiro Borda, em homenagem ao engenheiro que começou a construção mas não a viu concretizada.


Os anos de 1970 foram marcados pela hegemonia do Inter no cenário nacional. O time conquistou o tricampeonato brasileiro com os títulos de 1975, 1976 e 1979 (no qual foi campeão de forma invicta). No plantel jogadores como Figueroa. Manga e Falcão. Os técnicos que comandaram as conquistas foram Rubens Minelli e Ênio Andrade. Em 1980, o colorado foi vice-campeão da Copa Libertadores.



Em 1984, para representar o Brasil nas Olimpíadas, todo o time do Inter foi convocado. O time conquistou a medalha de prata nos Estados Unidos.

Em 1989 o Internacional disputou o Grenal do século. O jogo valia uma vaga na final do Campeonato Brasileiro e vaga na Copa Libertadores. Ao final do segundo tempo, o Inter tinha um homem a menos e perdia de 1x0 no estádio Beira-rio. O centroavante Nilson marcou dois gols e selou a vitória colorada na primeira passagem de Abel Braga pelo clube.

Em 1992 o Internacional conquista o quarto título nacional ao vencer a Copa do Brasil. A década de 90 ainda marcara a retomada no cenário estadual com a conquista do título gaúcho em 1991, 1992, 1994 e 1997. Em 1997, a conquista foi em cima do rival. Em pleno estádio Olímpico o colorado faz 5x2 no grêmio e conquista o título, destaque para a atuação de Fabiano Cachaça.

Novos tempos

No século 21, o Inter passou por uma fase de modernização, que inclui uma aposta nas categorias de base e a retomada da hegemonia estadual (2002, 2003, 2004 e 2005) O time volta a disputar competições internacionais. Em 2004, o time comandando por Muricy Ramalho eliminou seu rival Grêmio da copa Sul Americana, mas parou nas semifinais ao perder para o Boca Juniors. Em 2005, novamente o colorado foi parado pelo Boca, desta vez nas oitavas. Neste mesmo ano o time gaúcho foi vice-campeão brasileiro em um dos campeonatos mais polêmicos dos últimos tempos.Uma decisão do tribunal esportivo anulou partidas. Há quem diga que se tal anulação não tivesse ocorrido o Internacional seria campeão, pois o time liderava antes da polêmica decisão.

O melhor ano de todos
Mas em 2006 a torcida deixaria para trás a mágoa do vice-campeonato para viver suas maiores glórias. O time volta a disputar a Copa Libertadores da América depois de 13 anos. Contando com um apoio maciço da torcida que, com o passar da competição, cada vez mais lotava o estádio. Associações tiveram que se ser suspensas por um tempo. O Internacional passa por equipes como Nacional (seu algoz em 1980) e LDU (time que foi base da seleção equatoriana). Na final encontra o campeão mundial São Paulo. E em uma atuação arrasadora no estádio Morumbi derrota o grande favorito com dois gols de Rafael Sóbis (jogador formado nas categorias de base). No jogo de volta, em um Beira-rio com 57 mil pessoas, conquista pela primeira vez o título de campeão da Libertadores. Jogadores como Bolívar, Eller, Fernandão, Clemer, Alex e Edinho entram para a história do clube. Comandados por Abel Braga e pelo presidente Fernando Carvalho, milhares de colorados comemoram pela primeira vez na sua vida um título de expressão. A conquista selou o passaporte para disputa do Mundial de clubes do Japão.


O Mundial

No Japão, o Internacional vence com dificuldade o egípcio Al-Ahly com gols de jogadores formados nas categorias de base, Pato e Luis Adriano. Na final, o favorito e milionário Barcelona, que havia conquistado sua vaga em uma vitória fácil sobre o América do México, por 4 a zero. Os galácticos tinham no time estrelas como Deco, Puyol, e o melhor do mundo, o ex-gremista Ronaldinho Gaúcho. O time comandado por Abel Braga faz uma forte marcação que segura o time catalão. No segundo tempo, momentos dramáticos para os colorados. O zagueiro Índio sangra em campo, Fernandão lesionado. O capitão não resiste e no seu lugar entra o contestado Adriano Gabiru. Aos 36 minutos da etapa final, um lance que mudaria para sempre a história do clube gaúcho. Índio tentando se livrar de Ronaldinho Gaúcho lança para o meio campo, Luis Adriano recebe, Gabiru cabeceia e devolve para Luis Adriano que lança a Iarlei. Luis Adriano e Gabiru partem em velocidade pelos lados, enquanto Iarlei voa no meio, enfrentando a marcação do time catalão. Ele dribla e lança Gabiru que marca o gol mais importante da centenária história colorado. O Internacional derrota o Barcelona e sagra-se campeão do mundo.


No ano de 2007 o time não faz boas apresentações. Em 2008, o clube conquista a Dubai Cup, nos Emirados Árabes, vencendo times como Stugart e Inter de Milão. No segundo semestre, o Inter foi o primeiro time brasileiro a conquistar a copa Sul Americana, tendo eliminado durante a competição o rival e o argentino Boca Juniors, com vitória em plena Bombonera. Com o título, o Internacional conquistou todas as competições possíveis para um clube de futebol.


Em 2009, o clube completa 100 anos e o resto da história....bem esta história ainda está sendo escrita...

Obs: As fotos antigas foram obtidas pelo colorados Pedro Laus Simas, que as disponibiliza na internet. A foto do gigante e da conquista da Libertadores são do site do Internacional. A foto de Dubai é de autoria desta blogueira.

Contato

  • acmagagnin@yahoo.com.br