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terça-feira, dezembro 28, 2010

Bola fora da Fifa: Mundial e Copa no mundo muçulmano



"Mas o campeonato de futebol comia, por aqui, solto, exarcebando paixão quase de inimigos", assim se referiu o eterno Mário Rodrigues Filho ao campeonato carioca de 1945. Mas poderia estar se referindo ao Gauchão ou ao Mundial de Clubes. A frase se encaixa perfeitamente em qualquer campeonato de futebol. A frase é compreendia por qualquer conhecedor distante ou amante pleno do futebol. A frase, e aqui ouso dizer, define um pouco desse esporte. "Exarcebando paixões", eis uma boa definição de futebol.


O esporte das 22 pessoas em campo a correr atrás de uma bola que mira na direção da rede é nada mais do que uma exarcebação plena de paixão. Paixão que estoura a garganta no grito gol, que leva ao delírio pleno no lance decisivo, que enlouquece o mais sano dos viventes na conquista de um título. Isso, meus amigos é o futebol. E não li num livro ou assisti um documentário para saber disso. Cresci sentindo isso. O futebol é mais do que regras e camisas. Mais do que estádios, bolas e jogadores. É a bandeira solitária de um menino tremulando, é o choro de um jovem da derrota inesperada. Aliás, pleonasmo vicioso falar em derrota inesperada. Todo torcedor, no fundo, sempre espera a vitória.

Hoje, o tal futebol gera milhões. E cá entre nós, isso começou quando alguém entendeu que não era o chute na bola, mas a paixão que movia esse esporte. Um cara compreendeu isso e começou a ganhar dinheiro. O resultado está aí hoje. Para um negócio gerar lucro no futebol a que se compreender o futebol. E isso serve a qualquer tentativa de lucro. Sendo assim, como um lugar que nada entende de futebol sediar com maestria um evento de futebol? Não estou aqui dizendo que o "simples" fato do brasileiro ser apaixonado pelo esporte garantirá o sucesso da realização da Copa do Mundo aqui. Sabemos da importância das questões de infra-estruturas indispensáveis.

Mas levanto uma questão: pode um país que oferece toda infra-estrutura ao turista, um transporte digno sediar com maestria uma Copa do Mundo?
Tenho minhas dúvidas. Recentemente o Catar foi escolhido para abrigar a Copa do Mundo de 2022. Outro país muçulmano, os Emirados Árabes Unidos, sediou o Mundial de Clubes da Fifa. Estive lá e trabalhei na cobertura. Taxistas locais não sabiam onde ficavam os estádios dos jogos. Estamos falando de uma semifinal de Mundial de Clubes. Um taxista me levou a um estádio de críquete e me jurou que aquele era o estádio municipal. Um menino com a camiseta da Internazionale treinava rugbi na frente do estádio da final e não sabia que o time estava na cidade para disputar o título de Campeão do Mundo. A Inter ganhou e tenho minhas dúvidas se o menino soube. Dez mil colorados tomaram as ruas de Dubai e Abu Dhabi e oa árabes ainda tem dúvidas de quem são os "reds".

O consumo de bebida alcoolica é proibido nos estádios no Brasil, mas a Fifa já anunciou que durante a Copa tá tudo liberado. Afinal, bebida e futebol combinam. Os torcedores, sejam eles colorados, argentinos ou europeus, amargaram dois jogos, derrotas e vitórias sem ingerir um gole de alcool no Mundial em Abu Dhabi. O consumo de bebida na rua é proibido. Mas no Brasil, a Fifa vai liberar. O presidente da Fifa, aliás, tava lá. Foi vaiado e os árabes indagaram aos colorados do porquê dessa vaia. Por esses dias ele deu um alerta aos gays, amantes do futebol, e que cogitam acompanhar a Copa do Mundo no Catar: "Eu diria que eles devem se abster de qualquer atividade sexual". Não estou aqui dizendo que futebol combina com sexo, embora eu ache uma boa ideia, mas gays não podem gostar de futebol porque o país não gosta de gays?

Respeito os costumes muçulmanos e o fiz em minhas duas passagens pelos Emirados Árabes Unidos. Ambas movidas a futebol. Os árabes me receberam bem e gostaram do meu dinheiro e de todos que gostam de futebol. Mas o futebol é o grito latino, mesmo que choque o tom baixo da voz das mulheres árabes. A bebida, os cantos e a comemoração sem hora para acabar também. A cultura do futebol inclui todo esse pacote. E sinto muito, mas o mundo muçulmano deveria respeitar também essa religião. Ou a Copa do Mundo de futebol vai ser um desastre. Mesmo com estádios em forma de concha...

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Notícias do front: que país é esse



Peço desculpas por não postar antes, mas é que a internet aqui é bem complicada.Há duas coisas difíceis a internet e o futebol. Em alguns hoteis como o Burj Dubai ( 7 estrelas) a conexão é tranquila, mas aqui eu só consigo no hall de entrada.

Percebi que há menos construções do que há dois anos, efeito da crise. Mas a cidade parece discretamente mais aberta. Vi beijos na noite e casais árabes de mãos dadas. Em certo lugares, como mulher tenho dificuldades no atendimento, mas na maioria não, pois 80% da população aqui é estrangeira.

O luxo e moderno encontra-se em cada esquina de Dubai. Parece haver uma competição silenciosa entre os prédios novos, qual é mais bonito, mais moderno ou mais diferente. Na quadra seguinte, construções típicas. Estrangeiros e locais moram em lugares separados. O estrangeiro não pode se naturalizar, mas tem o visto renovado se comprovado que trabalha. Qualquer estrangeiro pode viver nos Emirados até completas 60 anos. Quanto aos nativos, o governo garante até moradia ( achei um pouco diferente de nossas Cohabs) e premia quem casa com cidadãos dos Emirados.

Abu Dhabi é a capital e cidade mais importante, Dubai vem na sequência. Ao todo 8,2 milhões de pessoas vivem nos sete Emirados, sendo 2,4 milhões em Abu- Dhabi e 1,6 em Dubai. A unificação dos sete ocorreu no dia 2/12/1971 por iniciativa e mérito do Sheiki Zayed - o Lula dele digamos, tamanha a popularidade e transformações de seu governo. Os sheikis são escolhidos entre a família e não necessariamente é o primogênito. O presidente dos Emirados e de Abu- Dhabi é o Sheikh Khalifa bin Zayed Al Nahyan é e em Dubai Mohammed bin Rashid al-Maktoum.

Foto: Abu Dhabi - Mesquita Sheikh Zayed

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Emirados: Dicas aos colorados no Mundial


Eis que o bom filho a casa torna. Como anuncia a sabedoria popular, cá esotu de volta ao meu primogênito querido. Três meses depois retomo o blog e volto com tudo. Estou também no twitter, orkut e facebook.

Em alguns dias embarco para os Emirados Árabes Unidos. Acompanharei o Mundial e retorno a Dubai. Usarei este espaço para falar sobre o local e obviamente sobre o Internacional.

Cerca de cinco mil colorados são esperados nas arábias, um país que, embora voltado ao turismo em algumas cidades, tem uma cultura muito diferente da nossa. O Internacional já preparou uma cartilha sobre o local. Esta humilde bloqueira dará também algumas dicas sobre o local.

O país

Os Emirados Árabes Unidos é uma federação composta por sete emirados, entre eles Dubai e a capital Abu-Dhabi. O país é governador pelo sheiki Mohammed bin Rashid al-Maktoum e a religião predominante é muçulmana. Estima-se que em Dubai, três quartos da população seja estrangeira, mesmo assim os valores muçulmanos são visíveis por toda a parte.

Religião
Turistas podem visitar algumas mesquistas, desde que trajados devidamente. Mulheres devem, portar véu. Você escutará alto-falantes pela cidade durante os horários da reza ( em torno de 5h30, 12h30 e 18h). Respeite e evite fazer barulho nesses horários. Há espaços para rezar nos lugares mais diversificados, como dentro de shopping center.

O que vestir
Tecnicamente o turista pode vestir qualquer roupa, mas o bom senso recomenda respeito aos valores locais. Evite regatas e quanto às mulheres, decotes ou saias curtas. Se for sair à noite, é recomendável um chalé ou casaco até entrar no local.

O que é proibido
Não é permitido o consumo de bebidas alcóolicas e demonstrações de afetyo em público. Mesmo que você seja casado há 30 anos evite andar de mão ou beijar seu companheiro (a). Você verá muitos homens de mãos dadas, o que significa que são amigos andando na rua. Sim, apenas amigos. Para quem deseja beber, o faça dentro do seu quarto no hotel ou em pubs e danceterias.

A noite em Dubai
A noite é parecida com muitos lugares do mundo, exceto pelo fato que casais não se beijam. As danceterias, que são geralmente nos hotéis fecham às 2 horas, ou no máximo 3 horas da madrugada. Um dica é o Dubai Marina, que tem várias opções.

O transporte
Atualmente Dubai possui metrô, mas o transporte via táxi é bastante econômico e dependendo vale a pena.

Dicas de passeio
Uma boa pedida são os shoppings centers. O Mail Emirates tem uma pista de esqui dentro e o BurJuman reúne lojas das marcas mais famosas, como Armani, Dolce & Gabbana, Hugo Boss. E os preços são outro atrativo! Não há cobrança de impostos sobre qualquer valor, o que diminui consideravelmente os preços dos produtos. Também é comum o Sheiki ordenar liquidações, o que torna os shoppings mais atrativos. Outra dica é o hotel, em forma de barco. Compre uma janta lá e passeie à vontade pelo hotel. Além disso não esqueça de o Burj Ar Arabian, o prédio mais alto do mundo. Há passeios temáticos que também valem a pena, como o passeio de barco à noite e a ida ao deserto. Quanto a este último, que inclui passeios de jipes nas dunas e uma janta em tendas, com apresentação de dança e narguilé entre outros. A recomendação é evitar comidas pesas, pois você pode sentir náuseas durante o passeio nos jipes (digamos que deixei um pedacinho de mim no deserto de Dubai).

Temperatura e fuso horário
Como estamos no horário de verão a diferença é de seis horas a mais do que o horário de Brasília. Quanto a temperatura é variável. Durante o dia beira os 30 ºC e à noite aproxima-se dos 13ºC.

PS: a foto acima é uma palhinha do que espera os colorados

Contato

  • acmagagnin@yahoo.com.br