Nesta segunda-feira, dia 14, o uruguaio Jorge Fossati foi apresentado oficialmente como técnico do Internacional. Com convicções em sintonia com a direção colorada e um currículo de peso no futebol sul-americano, o ex goleiro rejeitou uma proposta da seleção equatoriana e acertou com o time gaúcho por US$ 100 mil, cerca de R$ 175 mil mensais.
Como treinador, Fossati teve passagem pelas seleções do Qatar e Uruguai e treinou as equipes uruguaias do River Plate, Peñarol e Danúbio, Cerro Porteño do Paraguai, Colón da Argentina, Al-Saad do Qatar e LDU, do Equador. Como goleiro passou pelo Avaí e Coritiba e em times do Uruguai, Argentina, Colômbia, Paraguai e Chile.
Feitas as devidas apresentações, fica a pergunta: apostar em um técnico com experiência no futebol sul-americano pode dar certo? Ou então: será Fossati o primeiro treinador estrangeiro a treinar uma equipe brasileira e conquistar um grande título?
Apesar de ser o país do futebol, o Brasil não costuma exportar treinadores e tampouco importar. Jogadores brasileiros fazem sucesso e valem milhões no mundo todo. Poucos treinadores oriundos de nosso país conseguem sucesso lá fora. E dos estrangeiros que passaram aqui nenhum conquistou um título de grande expressão como uma Libertadores ou um certame nacional. Será essa a hora de um treinador estrangeiro penetrar definitivamente no futebol brasileiro através de uma passagem vitoriosa?
Essa parece ser a meta de Fossati. O uruguaio é o sexto treinador de outro país contratado pelo Internacional. E o quarto uruguaio. O chileno Elias Figueroa foi o último estrangeiro a comandar o Inter, no ano de 1996 e por alguns jogos. Os outros dois uruguaios que comandaram o Inter foram Ricardo Díez Santa Cruz, em 1942, Felix Magno, com uma rápida passagem em 1949 e Pedro Rocha, em 1996. Também passou pelo colorado o peruano Darío Letona, em 1946.
Díez também passou pelo rival Grêmio, que já teve técnicos estrangeiros em outras quatro ocasiões: em 1985 com José Omar Pastoriza, em 1987 com Juan Mujica, em 2003 com Darío Pereyra e em 2005 com Hugo de Leon.
No caso da dupla Grenal, Díez teve uma passagem exitosa em sua passagem pelo Inter, quando conquistou o campeonato gaúcho. Já no âmbito nacional, pode-se destacar o trabalho de Ricardo Dìez no comando Atlético Mineiro, no qual foi Campeão do Gelo em 1950 (torneio disputado com times europeus) e conquistou cinco títulos mineiros nos anos 50 (de 1952 a 1956), quebrando um recorde na época. O argentino José Poy alcançou o vice da Libertadores pelo São Paulo em 1974. O uruguaio Humberto Cabelli é considerado um dos dez maiores treinadores da história do Palmeiras. Outro estrangeiro que se destacou foi Darío Pereyra que levou o Paysandu a derrotar o Boca Juniors na Bombonera e conquistou o título mineiro pelo Atlético Mineiro. Darío foi o treinador estrangeiro que mais equipes brasileiros comandou. E o São Paulo foi o time que mais técnicos estrangeiros contratou, foram dez estrangeiros.
O maior sucesso dos técnicos gringos foram conquistas de regionais, como o paraguaio Alfredo González que conquistou o título carioca pelo Bangu e Ramon Platero que ganhou os cariocas pelo Fluminense e Vasco. A grande maioria teve passagens tímidas nas equipes brasileiras que comandaram.
Segue abaixo uma relação com os gringos que já comandaram equipes brasileiras e algumas dessas equipes. Encontrei registros de argentinos, uruguaios, dois chilenos, um peruano, um paraguaio, um português e um húngaro,
Argentinos
Ponziníbio, São Paulo (1940)
Alexandre Galán "Jim Lopes" , Portuguesa Palmeiras, Juventus, São Paulo e Corinthians, nos anos 50
Giu di Célio , Vitória (ES),
Armando Renganeschi , São Paulo (1958) e Flamengo (de 1965 a 1967)
José Omar Pastoriza , Grêmio e Fluminense em 1985
Daniel Passarela, Corinthians (2005)
Uruguaios
Pedro Mazzullo, Corinthians
Ruben Delgado, Tiradentes (DF),
Sérgio Ramirez, Bragantino, Avaí (2007) e Joinvile (última passagem em 2009)
Carlos Viola Solo, Sport (PE)
Danilo Menezes, ABC do Rio Grande do Norte (1980)
Ondino Vieira, Fluminense (1938-1941) e Vasco (1945)
Ramon Platero, Fuminense (1919), Flamengo (1921), Vasco (1923- 1924), Palestra (SP), São Paulo (1940)
Conrado Ross, São Paulo (1942-1943), Portuguesa (SP), Guarani (SP)
Pedro Rocha, Guarani (1987), Internacional (1996)
Humberto Cabelli, Náutico, Palmeiras (1930, 1932 a 1935) e Fluminense (1944-1945)
José Poy, São Paulo (entre os anos de 1964 a1982)
Pablo Forlán, São Paulo em 1990
Darío Pereyra, São Paulo (1997-1998), Coritiba (1998), Atlético Mineiro (1999), Guarani (2000), Corinthians (2000), Paysandu (2003), Grêmio (2003) e Portuguesa ( 2004)
Outras nacionalidades
O paraguaio Alfredo González comandou o Bangu (RJ) em 1966. Já o português Jorge Gomes de Lima, o Joreca, treinou o São Paulo de 1943 a 1947. O húngaro Bela Guttmann treinou o São Paulo, em 1957. E o chileno Roberto Rojas treinou o São Paulo em 2003.